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ANTHOLOGIE "LE CHANT DES CONTES"
"INVERNO EM GRAMADO"

Lura Inverno divulga 4.jpg

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ISBN: 978-65-84547-93-3

Pages: 284

Format: 14 x 21 cm.

Éditeur: Lura Editoral 

Inverno em gramado  par Christiane Couve de Murville

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Resolvi viajar. Estava cansada da correria do dia a dia, precisava mudar de ares. Além do mais, não me sentia nem um pouco realizada trabalhando em uma empresa multinacional. Reconhecia que tinha feito escolhas erradas e seguido gente que não me encantava. Mas o que fazer agora? Eu não era mais tão novinha. Que rumo tomar? Com a cabeça a mil por hora, repassava tudo que havia feito, ou não, e me sentia sozinha, perdida, desamparada. E ainda havia aqueles episódios mais desagradáveis que volta e meia vinham à lembrança! Difícil deixar tudo para trás, perdoar aqueles que tinham me magoado e a mim mesma, pelas bobagens cometidas, e seguir em frente. Insatisfeita, assim como estava em relação tudo, não era de se espantar que minha autoestima estivesse lá embaixo. Eu chegava a sentir vergonha de quem tinha me tornado e imaginava que não seria digna do apreço de ninguém.

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Mas eu precisava sair dessa situação. Logo, aproveitando a temporada de inverno, faria um tour na Serra Gaúcha. Tinha acumulado pontos no meu cartão de crédito, iria conhecer Gramado e Canela. Seria uma viagem inesquecível. Eu tinha esperanças que uma mudança de cenário poderia me alargar os horizontes e me tirar do tormento no qual vivia mergulhada, que me roubava o pouco da disposição que ainda me sobrava. Era necessário me mexer, fazer alguma coisa, senão eu acabaria doente e morreria cedo.  

 (...)

Segui pela mesma trilha um tempão, tinha a sensação de estar em um labirinto. Será que tinha ido parar em Nova Petrópolis? Havia ouvido falar de um labirinto por lá. O fato é que passei horas perambulando, buscando o caminho de volta para o hotel. Nem sentia mais frio, e conforme caminhava, também nem pensava mais em nada. Fui em frente, para algum lugar que eu desconhecia, mas me sentia estranhamente mais tranquila. Toda aquela movimentação estava me fazendo bem.

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Finalmente, avistei no alto de um barranco uma grande construção com um terraço mal iluminado. Seria o hotel? Não parecia. Encontrei onde apoiar os pés, agarrei-me a um tronco de árvore e consegui alcançar o casarão. Fiquei impressionada com minha escalada noturna e minha entrada pelo terraço de forma lépida, sem mesmo a turma que se encontrava ali notar minha chegada. Até que eu estava em boa forma! Eu me materializei no terraço sem afetar o ambiente, ou será que eu tinha virado um fantasma? Tudo estava mesmo muito esquisito.

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